Kei – Pós-Créditos

Sim, mesmo agora……

Nada desapareceu, eu ainda consigo me lembrar de tudo.

Por isso…

Erii:『Ah, sim. Provavelmente essa região é extremamente suspeita. Não é de conhecimento público, mas muitas pessoas morreram nessa área quando ocorreu a dissolução da União Soviética. Provavelmente até mais do que na época da revolução de Pol Pot.』

『Mas conexões são mais importantes do que números, sabiam? De qualquer forma, esse lugar definitivamente vale a pena. Ele foi um território disputado durante a Segunda Guerra. O Einsatzgruppen e tudo mais.』

『Eu ouvi que eles ainda mantêm certa influência, por isso――』

Ren: “Sim, eu sei.”

Eu rapidamente inclinei a cabeça e agradeci à Honjou.

Ren: “Você já me ajudou. Não é mais tão jovem, então não precisa ficar prolongando e se envolvendo em coisas perigosas assim. Além disso, eu não estou pedindo, mas você continua…”

Erii:『O quê? Você acabou de dizer algo que não deveria, hein!』

A indignação dela ecoou pelo telefone – e bem como a pessoa que estava ao meu lado fez – eu exibi um sorriso amargo.

Erii:『Não sou casada nem tenho filhos. Sou uma mulher bem no seu auge!』

Shirou: “Ei, isso depende do seu “auge”.”

Kei: “Acho que você apenas perdeu a chance de se casar, não acha?”

Erii:『Que tipo de atitude é essa, hein~? Você está se achando só por parecer um pouco mais nova, mas temos a mesma idade. Além disso, são poucas as mulheres capazes de competir comigo em termos de beleza, inteligência e dinheiro. Eu poderia facilmente-』

Ren: “Ah, sim, sim. Eu sei, Diretora. De uma forma ou de outra, foram apenas vinte anos.”

Sim, vinte anos. Se passaram vinte anos desde aquilo.

A Honjou herdou os negócios da família, mas se recusou a casar e até agora continua se envolvendo com idiotas como nós na nossa incumbência sem fim.

Enquanto isso, a Himuro-senpai transformou a igreja em um orfanato, ela passa todos os se dedicando a ajudar crianças a fazê-las sorrirem.

Para ela, todos são importantes…não poderíamos continuar parados.

Nós precisamos colocar um fim a esta detestável guerra que começamos.

Ren: “Bem, melhore seu humor. O Shirou vai nos levar para comer depois que terminarmos.”

“Suas colegas podem estar espalhando rumores de que você está andando em clubes, mas vamos ter certeza de recompensá-la pelos seus serviços, certo?”

Erii:『Ah, hmm. Nesse caso, eu prefiro muito mais você.』

Erii:『Você sabe, é aquilo… Chegando nos trinta, você percebe que deveria almejar mais do que certos homens que não dão retorno.』

Ren: “Ei, ela está falando de você.”

Shirou: “É a vida, cara. Eu nasci assim. Por que não tenta fazer companhia a ela?”

Ren: “Não tenho certeza…”

Kei: “…Do quê?”

Não, eu gostaria que parasse de me encarar como se estivesse me perfurando.

Erii:『Ficou bravinha, Sakurai-chan?』

Kei: “Não fiquei.”

Todos: “““Ficou sim!”””

Erii:『De qualquer forma.』

『Permaneçam em alerta. …Ah, e mais uma coisa, apesar de não ter relação com a missão, acho que vão querer ouvir.』

『Lembram da filha da Kasumi-chan, não lembram? Parece que, amanhã, ela irá à Alemanha em uma viagem escolar.』

Ren: “………”

Erii:『Então, a rota do avião dela vai passar por cima de onde vocês estão. Façam o seu melhor e não o derrubarem por acidente.』

Ren: “………”

Erii:『Ei, está me ouvindo?』

Shirou: “Sim, eu entendi. Estou ouvindo. Droga. Esse cara ainda tá chocado pela Bakasumi ter se casado, então não fique esfregando isso nele.”

Ren: “Não é… nada disso………”

Erii:『E foi logo depois da formatura. Até eu fiquei surpresa com isso.』

『Mas, ela parecia feliz, qual o problema? Ela não podia ficar o resto da vida dependendo de um homem indeciso.』

Ren: “Eu já disse que não é isso, quantas vezes vou ter que repetir—”

Eu preciso admitir, fiquei chocado, não só por ela ter se casado, mas por ser com alguém que sequer conhecíamos… sem mencionar que a filha dela já está quase com a idade que tínhamos. E mais importante que isso…

Ocasionalmente, o rosto dela fica retornando à minha mente……não é como se ela tivesse mudado fisicamente, mas, sempre que está com a gente, ela parece estar querendo se desculpar, como se fosse chorar… Como se estivesse carregando algum peso e sendo atormentada por isso.

Talvez seja só uma impressão de um homem ligeiramente volúvel.

Kei: “Fujii-kun?”

Mesmo que ainda fosse muito estranho para a Sakurai — cujo o apego não diminuiu nesses últimos anos – ela nunca me reprimiu por isso.

É possível que ela também…assim como eu, sinta-se da mesma forma.

Erii:『Certo, enfim, é isso. Mesmo se estivermos certos ou não, me informem sobre o que está acontecendo.』

『Desejo sorte a vocês. See you!』

Com uma calorosa risada, a Honjou desligou.

Shirou: “Muito bem…”

Kei: “Mesmo assim, tem muita neve aqui.”

Uma cidade isolada no meio do seu inverno. Um mundo prateado no meio do nada. Será que esta neve permanecerá pura ou será manchada pelo sangue?

Shirou: “Bem, o Natal já está chegando. E este lugar é realmente suspeito.”

É mesmo, a filha da Kasumi também não nasceu no Natal?

Shirou: “De qualquer forma, eu vou na frente. Comunidades isoladas como esta raramente tratam bem quem vem de fora. E as caretas de vocês não vão ajudar com que eles sejam amigáveis.”

Shirou: “Vocês acampam aqui esta noite. Eu entro em contado depois.”

Ren: “…Certo.”

Kei: “Desculpe por isso. Vai nos ajudar muito.”

O Shirou acenou para nós e desceu as dunas prateadas em direção à cidade coberta pela névoa.

Ele parecia bem cuidadoso, o que não é do feitio dele, isso significa que este lugar deve ser bem perigoso.

Kei: “O que você acha?”

Ren: “Uns 70%…não 80%.”

Era a possibilidade de estarmos certos sobre este lugar. Desde então, nós passamos a última década viajando pelo mundo, investigando locais, destruindo – ou selando – diversas Relíquias SagradasAhnenerbe suspeitas.

Era possível sentir o cheiro do inferno.

Se realmente fosse, então desta vez…

Kei: “Ei, Fujii-kun…”

Naquele momento, mesmo em meio à pensamentos nebulosos e ao e frio extremo do inverno, eu senti meu corpo sendo envolvido por um calor.

Kei: “Isso vai acabar, não é? Desta vez, vamos pôr um fim nisso…”

A Sakurai se aproximou de mim. Sempre que eu me encontrava consumido pela raiva, a voz dela me trazia à realidade.

Kei: “Você se arrepende? Lamenta por algo que fez? Para termos acabado juntos assim.”

Ren: “Nada…”

Não era mais hora de ficar se perguntando essas coisas

Foi por você estar comigo que eu pude sobreviver.

E eu pretendo passar o resto da minha vida ao seu lado.

Kei: “De vez em quando, você deveria abrir a boca para falar.”

“Nós não somos mais crianças. Tanto eu quando você já estamos ficando velhos, não estamos?”

Ren: “Não, ainda somos como crianças.”

Afinal, desde aquele momento – desde que sentimos o humilhante sabor daquela batalha que não conheceu seu fim.

Ren: “O nosso tempo foi interrompido. Por isso, precisamos voltar a andar.”

Para podermos realmente viver nossas vidas como homem e mulher.

Interromper o tempo pode ter sido um dos meus desejos no passado, mas agora eu apenas desejo que nós dois possamos continuar a viver nossas vidas.

E para isso, antes precisamos…

Ren: “Nós venceremos, Sakurai. Então, vamos viver juntos.”

Kei: “…Sim, isso mesmo.”

Talvez eu encontre um novo Zarathustra aqui. Afinal, eu fui desqualificado desse papel depois de perder a Marie.

Ou talvez eu possa, mais uma vez, restabelecer meus laços com ela quando a hora chegar? Mas como isso funcionaria? Quem seriam os outros quatro que não participaram do alvorecer da nova Távola Obsidiana e onde eles estariam?

Qual o significado das palavras proferidas por Mercurius naquele dia?

Até hoje eu não sei.

Mas é por isso que, ao menos, uma coisa eu sei――

Kei: “Ah, o vento parou.”

O silêncio e o calor que eu encontrei no olho da tempesteada. Não há nada que possa substituí-lo.

Eu desejei protegê-lo do fundo do meu coração.

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