Prólogo

1º de maio de 1945. Berlim, Alemanha.
00:27 AM…

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O encerramento da Segunda Guerra Mundial foi a completa manifestação de uma guerra jamais vista antes.
Não, o termo “massacre” seria o mais apropriado a ser usado.
Esmagada em todos os sentidos por uma avassaladora força, Berlim se vê em um estado de completo isolamento, à beira da aniquilação.
Aproximadamente 500 mil tropas armadas marcham sob a bandeira do Exército Vermelho cercando a capital imperial, impossibilitando a fuga.
Gritos, tiros e explosão soavam como um incessante capriccio que reverberava sobre a cidade arrasada, enquanto as pessoas eram massacradas.

Um massacre ― um extermínio ― na busca pela erradicação de todos os inimigos deste mundo, indiferente de suas idades.

Justiça, vingança, amor, paz, supremacia, emancipação, liberdade e igualdade. O slogan vinculado ao horror poderia ser qualquer um.
O caos no qual as ruas cobertas de sangue eram submergidas demonstrava prontamente as atrocidades que se manifestam quando um homem é apresentando a uma causa maior que o justifica.
Sim, por exemplo――
nesta parte da cidade.

Um brilhante flash de luz cegante, seguido pelo rugido de uma explosão.
O último bombardeiro propeliu mais soldados― ao menos três das silhuetas podiam ser reconhecidas como humanos. Seus restos mortais se espalhavam pelo calçamento.

Soldado: “Desgraçados!”

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Junto a um grito de apodo, um homem que pulou da trincheira com um Panzerfaust em mãos.
Com a cobertura das Schmeissers .32 de seus aliados, ele correu em direção à linha de fogo.

Tremulo, ele puxou o gatilho, disparando uma munição explosiva antitanques ― HEAT.
O projétil foi disparado a uma velocidade capaz de ser acompanhada pelo olho humano, e então mergulhou no flanco blindado do tanque.

A blindagem se dissolveu de acordo com o Efeito Neumann, e o tanque implodiu em uma torrente de metal liquidificado e chamas ardentes a milhares de graus.

O homem largou o Panzerfaust, e de costas para seus companheiros, começou a limpar os inimigos restantes com sua Mauser.

Essa é a guerra ― Não há tempo para pensar em nada desnecessário.

Apenas matar, matar e matar a todos.
Ninguém poderia se manter são nessas condições.
Se você não quer morrer, grite com toda a sua raiva.
Jamais olhe para trás.
Com a loucura disseminada por todos os lados, a temperatura do sangue se eleva.

Com aquele frenético e ardente som de tiros, soldados oram em silêncio enquanto continuam a matar uns aos outros…
É claro, na realidade era apenas uma escaramuça sem valor ― soldados contra soldados, rifles contra pistolas. Controlando a batalha temporariamente, a partir daquele momento, em uma perspectiva de vitória ou derrota, nem mesmo uma partícula se agitaria.
O Terceiro Reich desmorona, e os sonhos de seu visionário ditador desaparecem em meio às chamas.
O que restava aqui era apenas a ruína dos perdedores, enquanto os rebanhos de vencedores, como abutres, rodeavam seus restos mortais.

A morte estava confirmada.
Não havia como escapar da derrota.
Qualquer tentativa de resistência era apenas uma autossatisfação sem sentido que logo desapareceria, sem qualquer esperança de salvação.
Aquilo já não era mais uma situação desesperadora, mas uma cômica farsa.

Mas mesmo assim――

Soldado: “Metem! Matem! Matem todos!”

As artérias de seus corações ainda estavam em movimento.
Suas mãos ainda empunhavam armas.
Eles não devem parar até que todos os seus inimigos estejam mortos.

Porque esse é o dever deles.
Qualquer coisa, mesmo que fosse apenas para justificar este inferno, seria algo a qual eles se iriam se agarrar, como uma bênção espúria ou uma insana loucura.
Honra e glória ― Agora isso não possui mais valor do que alimento de cachorro, e ainda assim, a vida humana ainda permanece inferior a tudo.

――Esta era a realidade.

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Soldado: “Este são todos…os que sobraram?”

Depois de terminar a varredura de todos os inimigos e se reagrupar com seus companheiros, restaram apenas três soldados entre aqueles, incluindo ele mesmo.
A companhia havia sido encarregada de proteger o quarteirão que agora havia sido completamente aniquilado. A situação não era nada promissora, e muito mais inimigos estavam a caminho.

Soldado: “E quanto aos Panzerfaust?”

Soldado: “Você acabou de usar o último, sargento-mor. Acabou; já é possível avistar o final. É a nossa derrota.”
O jovem homem sorriu rapidamente enquanto entregava sua Schmeisser para seu companheiro.

É a nossa derrota. ― Sim, nós perdemos a guerra.

Berlim caiu, a companhia foi massacrada e os três que restaram logo encontrarão o mesmo destino.

Soldado: “Bem, a essa altura, eu já não me importo mais, porém, seria bom se eu tivesse um final de destaque… Não é como se tivéssemos alguma chance de fugir.”

Soldado: “…Você, qual o seu nome?”

Soldado: “Joachim Brauner. E você, sargento-mor?”

Sargento-mor: “Eu me chamo Walter Gerlitz. Bem, suponho que seja adequado sabermos os nomes daqueles que irão morrer ao nosso lado. Ei!”

O sargento-mor, Walter Gerlitz, direcionou o seu olhar para o último sobrevivente da companhia: um jovem soldado que havia permanecido em silêncio.

Walter: “Qual o seu nome?”

Soldado: “Ah… bem…”

O olhar do garoto, mais jovem que Joachim, vagava incapaz de esconder seu medo.
Se Walter tivesse um filho, provavelmente teria a idade dele.

Soldado: “Me chamo Marco Schmitt, sargento-mor…”

Walter: “…Certo.”

Walter estava para perguntar o que uma criança como ele estava fazendo ali, mas decidiu engolir as suas palavras. Afinal, era uma questão tola. O inimigo não iria demonstrar misericórdia por eles; nem mesmo a uma criança.
O motivo era simples: eles eram os cruéis inimigos do Exército Vermelho, os detetados inimigos da Schutzstaffel. Mesmo que estivessem prontos para se render, os soviéticos, sem dúvida, iriam fazer deles prisioneiros.

Consequentemente, lutar até a morte era a única opção deles.
Walter tinha a convicção de que Joachim estava decidido a oferecer a sua vida em prol de seu país. O garoto, por outro lado…

Marco: “Quando essa guerra acabar, o que será da Alemanha… de Berlim?”

“…………”

“E o que será de nossas famílias e amigos…?”

Joachim:  “Eu não sei responder essas coisas.”

“Afinal, é aquilo… Os vitoriosos vão nos retratar como demônios desumanos e nos julgar como bem entenderem… É cômico.”

Joachim desabafou a sua indignação; seu tom de voz amargo demonstrava claramente sua posição.

Joachim: “Minha mãe e minha irmã vivem em Dresden, mas foram pegas pelo bombardeio ― nenhum osso delas foi encontrado ― E eles nos chamam de demônios? Nós estamos apenas lutando para proteger o nosso país. E mesmo assim, esses desgraçados… Merda, quem eles pensam que são?!”

Ele jamais iria se render. Mesmo que tivesse que dar a sua vida à batalha que estava por vir, o encerramento da guerra já estava definido. Nada poderia mudar isso; muito menos ele.
E, com essa derrota, seu país e seus descendentes iriam…

Um único soldado era incapaz de fazer qualquer coisa em relação aos rumos de uma guerra.
Joachim tentou expressar a sua insatisfação da melhor forma que podia enquanto Marco permanecia em silêncio.

Joachim: “É por isso que eu――”

“――――gah”
Naquele instante, uma rajada de fuzil pôde ser ouvida.

Walter e Marco rapidamente conseguiram se abrigar, mas infelizmente Joachim não teve a mesma sorte: sua cabeça foi atravessada pela primeira onda de tiros, seguidos por uma série de tiros que atingiram seu peito.

Joachim: “……Merda…”

Crivado por uma salva de tiros de metralhadora, o corpo de Joachim se contorceu de tal maneira que remetia a uma espécie de dança antes de desabar no chão.
Um final anticlimático para um jovem que em seus últimos momentos expressou sua insatisfação perante esta guerra e seu desejo de lutar.
Mas esta é realidade, esta é a guerra. Não existem heróis, Messias e muito menos milagres para salvá-los: apenas homens morrendo como insetos.
Por isso, mesmo se você subjugar toda a raiva e desespero, de nada mais vai servir além de um convite para à mandíbula da morte que o consumirá em seguida.
O caos da guerra não tolera pensamentos insolentes. O conhecimento necessário é apenas aquele que será utilizado em sua missão…

Walter: “Schmitt! Consegue me ouvir? Schmitt!”

Enquanto Walter rastejava em direção ao prédio destruído para se abrigar, ele também gritava o nome de seu companheiro com toda a força que ainda lhe restava.
Mas no lugar de palavras――

“――――gah”

Mais uma vez, um novo flash seguido por uma poderosa explosão.

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O torso do jovem foi arremessado aos pés de Walter.
O apertado beco estava coberto por um forte fedor de sangue e entranhas incineradas. Impotente, Walter se ajoelhou em meio àquele vasto mar de sangue.

Marco: “……Aa… sargento-mor…”

“Me perdoe… Eu não pude ser útil.”

Marco sorriu. Mesmo com as brasas restantes de sua vida desaparecendo, era impensável que alguém ainda seria capaz de formar palavras naquele estado. Walter segurou a mão do garoto.

Marco: “Eu não quero morrer, eu não quer morrer. Se eu morrer aqui… pelo que nós lutamos todo esse tempo?”

“Sargento-mor, por favor, me diga: nós somos demônios? Berlim… a Alemanha…”

Walter: “Você não deveria falar, Schmitt…”

Enquanto o som de tiros ainda podia ser escutado, um som de um novo tanque se aproximando do campo de batalha pôde ser ouvido.
Marco Schmitt não podia mais ser salvo. Nem mesmo Deus poderia salvá-lo.

E agora, tudo o que restava para Walter era o campo de batalha. Sua mão não apertava mais a mão de um soldado morrendo, mas uma arma; seus ouvidos não mais ouviam as ingênuas últimas palavras do jovem. Filtravam apenas o som da respiração de seus inimigos.
Ele sabia melhor do que ninguém, e ainda assim…

Marco: “Nós… fizemos algo de errado, certo? Por isso estamos passando por essa punição? Eu sei que não há orgulho na guerra e na morte de outrem, mas… Mas nós…”
Joachim, Walter, e muitos outros soldados alemães estavam fazendo nada mais do que pegar em armas para proteger seu país e aqueles que eles amavam…
Havia algo de errado nisso?
Cercados pelas chamas da capital que falecia, o jovem perguntava, com palavras já desconexas, a Walter, como se ele as direcionasse para alguém que estava no céu.

Walter: “…Temo que sim.”

Após uma fração de segundos em agonia, Walter respondeu de forma breve:

“Promover uma guerra não é errado; perder uma guerra é.”

Esta era a verdade. Uma verdade brutal e hedionda.

Ah… ó Deus ― Eu o…

Marco: “Entendo… Na próxima… eu gostaria de vencer…”

Marco Schmitt silenciosamente faleceu nos braços de Walter. O jovem soldado sorriu em sua morte. Embora manchado pelo sangue e a lama, demonstrava sua infantilidade.

Walter: “…Isso mesmo, Schmitt, Brauner.”
Um sorriso amargo esboçou no rosto de Walter também.

“Nós venceremos na próxima. Se não vencermos na próxima, venceremos na seguinte. Mesmo se ainda assim não vencermos, repetiremos isto milhões de vezes até sermos capazes de reverter este resultado.”

Suas palavras eram tolices de alguém que estava desesperado diante da morte… Nada mais do que isso.
Walter pegou a sua arma, confirmando se ainda estava carregada, e saiu da sombra do prédio destruído como se estivesse dançando.

“Salve a Vitória”Sieg Heil

Ele inconscientemente deixou escapar um alto grito de guerra. Era como se a sua garganta estivesse explodindo.
Iria ele ter o mesmo fim que Joachim e ser fuzilado… ou compartilhar do mesmo destino de Marco.
A essa altura isso já não mais importava.
De qualquer forma, ele meramente teria uma morte miserável condizente com esta guerra.
Sua mente estava tomada por pensamentos desesperadores: não havia como ele prever o que estava a vir.

“Pater Noster qui in caelis es sanctificetur nomen tuum”Pai nosso que estais no céu, santificado é vosso nome.
“Requiem aeternam dona eis, Domie et lux perpetua luceat eis”Conceda a eles o descanso eterno e permita que a luz perpétua continue a iluminá-los.
“――――”
Foi a intuição de um soldado experiente que o fez buscar um abrigo por reflexo.

“…!”

Tudo em seu campo de visão embranqueceu por causa da cegante luz seguida de uma violenta explosão, mais poderosa que todos os bombardeios até então; uma explosão que parecia partir até mesmo os céus.
Walter percebeu que aquela explosão estava muito além do que qualquer armamento usado no campo de guerra.

O que foi isso?
O que aconteceu?

“―――――”
A cidade… que literalmente havia consumido toda a sua vida para ser protegida foi reduzida a um campo carbonizado.
Isso é uma piada?” Embora tenha levado um momento para que Walter reavesse a sua audição e a sua visão, não houve tempo o bastante para ele perceber o que estava acontecendo.
Tudo o que ele entendia era uma coisa: tanto os cadáveres de seus aliados quanto os das tropas inimigas que invadiam haviam sido aniquilados…
Nenhuma bomba vinda do céu seria capaz de trazer consigo tanta destruição. E apesar de Walter ter sobrevivido, ele havia sofrido graves ferimentos.

“……gah, cof”

Pedaços de metal e concreto explodiram em sua direção perfurando as suas costas e seu flanco.
A mão que segurava a sua Schmeisser havia evaporado até o cotovelo. Fraturas e lacerações eram tantas que não havia motivos para ficar contando.
Seu vômito de sangue incessante o informava que ele havia sofrido danos internos severos…
Era uma ferida fatal.

“Merda… Merda, merda!

Ele mesmo já nem mais sabia o que culpar por sua indignação. Então, uma voz vinda por trás dele ressoou.

“exaudi orationen meam”Ouça minhas preces, ó Lorde.

“ad te omnis caro veniet”A você toda a carne deve ser retornada.

“Convertere anima mea in requiem tuam, quia Dominus benefect tibi”Retorne a minha alma ao seu descanso. Para que o Lorde a recompense.
Este era um réquiem oferecido a todos os soldados que haviam perecido.
Um recitar em uma airosa voz.
Nem mesmo o mais prestigiado coral de uma igreja reproduziria tal melodia digna.
Ao mesmo tempo o escárnio escoava de forma evidente por aquela voz.
Apenas sob a véspera do Apocalipse tal voz poderia ser concebida por um anjo.
Nela residia o desprezo, a ridicularização dos mortos, uma afronta derivada do mais elevado prazer em um atropelamento da dignidade que ainda os restava ― a voz de um destruidor intoxicado pela desordem.
Este era o resultado de uma mente corrompida pela escuridão detentora apenas de uma malícia desumana.

“Requiem aeternam dona eis, Domie et lux perpetua luceat eis”Garanta a eles o descanso eterno. Ó Lorde, que a luz perpétua rutile sobre eles.

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Então, avançando ao meio aos detritos espalhados pela imensidão, o destruidor apareceu, com o demoníaco réquiem em seus lábios…

――Um garoto, com anos de experiência a menos em relação a Marco, e uma face tão delicada que um olhar descuidado poderia facilmente confundir as suas feições com a de uma garota.
Um único olhar em direção àquele garoto fora o suficiente para fazer o corpo de Walter começar a tremer gradualmente.

“――――”

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Embora ele tenha perdido uma considerável quantidade de sangue e sua visão estivesse brumosa, o motivo pelo qual aquele calafrio corria por sua espinha era causado por outra coisa.
A imaculada hostilidade e a desgraça que irradiavam da fisionomia do garoto também haviam contribuído para isto.

Mas ele conhecia aquele garoto.
Não, não havia qualquer homem vivo que tivesse lutado na Frente Oriental que não o conhecesse.
Uma besta possuída por uma fome insaciável; sua aberrante mente era dominada por uma loucura desumana… com olhos azuis e cabelos brancos.
Ele puxou duas armas, ambas com o A Runa do LoboWolfsangel gravado nelas――
Não restavam dúvidas, era um rosto na qual Walter jamais esqueceria.
O rosto de um garoto que certamente havia morrido três anos atrás….

Walter: “Major Schreiber-dono…”

Esquadrão de Ataque da Frente Oriental ― Comandante da Unidade Especial de ― SS Major Wolfgang Schreiber.
Uma besta desencadeada que massacrou tanto inimigos quanto aliados. O Demônio Branco que supostamente havia encontrado seu fim durante sua purgação.
Então como poderia ele estar aqui…?

 Schreiber: “Ah, se não é o sargento-mor Walter Gerlitz. Parece que eu causei problemas a você e a Einsatzgruppen. Como vai?”

Direcionando duras palavras a seu companheiro à beira da morte que tivera como causa muito provavelmente ele próprio. O garoto que exibiu um inocente e diabólico sorriso em frente a Walter era sem dúvida a mesma pessoa da qual ele recordava.

…Não, o símbolo em sua braçadeira não era uma suástica, e sim um símbolo completamente diferente, o que demonstrava que eles já não eram mais companheiros…

Walter: “Por que você… está aqui…?”

Schreiber: “Hm? Eu preciso de um motivo? É porque eu também sou um soldado, assim como você. A guerra é a nossa profissão, e matar faz parte dela.”

O garoto gesticulava com deboche enquanto analisava o seu entorno. E o que seguiu disto não foi natural.

Algo consanguíneo a um opaco vapor irrompeu em sua cercania. Como uma bruma ou uma neblina de calor.
Simultaneamente, os sentidos de Walter por um espantoso gemido.

Eram os berros amaldiçoados daqueles que morreram: os destinados a sofrer e lamentar eternamente.
Esse infindo coro de lamentações fez até mesmo o efervescente ar do campo de batalha esfriar.

Aquelas eram as almas dos mortos. Walter sentiu como se pudesse ver as faces de Marco e Joachim tremulando em meio àquele redemoinho que se formara.
Então, a maneira como elas se seguiram…
…em direção ao Totenkopf de Schreiber.
Ele estava devorando a alma de cada uma das pessoas que massacrara.

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Deparando-se com tamanha repulsividade, um conturbado espetáculo, Walter não era capaz decidir se deveria enfurecer-se ou prantear ao testemunhar aquilo.
Ele anelava pela sanidade perdida.

Schreiber: “Pois bem, sargento-mor, eu estou partindo. E quanto a você?”

Schreiber, que aparentava ter concluído a sua “refeição”, virou seu pescoço de forma preguiçosa na direção de Walter.
O que estava acontecendo? O que ele iria fazer em seus últimos suspiros, sem condições de lidar com o que acontecera com os soldados?

Walter: “Ainda não saciou a sua fome?”

Schreiber: “Matar cem ou mil dos vermelhos não vai mudar nada a essa altura, mas é por isso que você não precisa ficar sentado vendo tudo desmoronar. Olhe em volta, olhe para a sua Berlim! É o fim do nosso glorioso império. Predito que permaneceria de pé por mil anos. Hahaha, quem iria consentir com isso?”

Consentir? Quem iria……

Walter: “Ninguém iria.”

Carrancudo, disposto a disparar para a morte, Walter respondeu Schreiber com um fraco sorriso.
Sim. Quem iria ficar consentido perante a uma conclusão como essa?
Ele tinha amigos. Tinha uma casa. Uma mulher que amava. Um país o qual ele amava.
E tudo isso foi desfigurado pela derrota na guerra. Um desonra na qual nem a perpetuidade seria capaz de apagar.
Isso era――

Schreiber: “Imperdoável, não é? Esses repugnantes seres inferiores dilaceraram nossos muros e pisotearam nossa grande capital, mataram nossas crianças, estupraram as nossa mulheres, enforcaram nossos idosos.”

“Sargento-mor, Walter Gerlitz ― que jurou lealdade e bravura ao exército alemão. Deixe-me ouvir seus sentimentos. O que você pretende fazer?”

Walter: “A……aOo………”

A grande quantidade de sangue que gorgolejava de sua boca fazia com que fosse difícil falar, mas seus sentimentos já estavam decididos.
Joachim que jurou lutar a fim de pôr um fim aquilo; assim como Marco que desejava a vitória. Os sentimentos dele eram como os deles…
O garoto em frente a ele inequivocamente era detentor da forma de um demônio. Mas tal coisa não importava naquele momento.
O que ele desejava…

Walter: “…Eu quero sair vitorioso.”

Vitória, honra e glória à pátria.
Para trazer a paz a seus companheiros e familiares que perderam suas vidas.
Para trazer prosperidade para as gerações que ainda estariam por vir.
E acima de qualquer coisa, para a sua própria alma…

Schreiber: “Salve a Vitória”Sieg Heil! Isso mesmo! Você merece a honra de se tornar a carne e o sangue dele.”

“A guerra nunca acabará. Nós não permitiremos. Iremos repetir ela de novo e de novo, vamos continuar e continuar―”

Garanta-nos a vitória.

“Vamos alcançá-la juntos ― nosso interminável campo de batalha… até que a vitória esteja em nossas mãos.”

Nós devemos clamar a vitória na próxima guerra, se não for possível, na próxima; centenas de milhares e milhões de batalha se repetiram até que essa conclusão esperada seja alcançada.

Schreiber apontou sua Muser na direção de Walter ao mesmo tempo que a última luz que residia em sua alma começou a desaparece.

“Requiem aeternam dona eis, Domie et lux perpetua luceat eis”Conceda a eles o descanso eterno e permita que a luz perpétua continue a iluminá-los.!
Seu réquiem era um desprezo pelos mortos, revestido com maliciosas intenções.
E ainda sim, Walter achará aquilo lindo, como a canção de um anjo…

Ah, sim. Este é o apocalipse;
e logo eu me juntarei as tropas que marcham em direção à destruição do mundo.

Ele logo se tornaria uma vertente da juba da Besta ― uma de muitas em seu Corpo de ExércitoLegion

“Aha, ahaha, ahahahahahahahahahahaa!”

Schreiber direcionou seu olhar para o céu, e riu vigorosamente enquanto seus cabelos prateados dançavam no ar.
A alma de Walter Gerlitz foi consumida pelo seu olho sedento por sangue e desapareceu.

E, no mesmo momento, em outro local, um análogo pesadelo tinha início.

Um batalhão completo com no mínimo uma dezena de tanques falhou em por fim a vida de um único homem.
――Não, um batalhão de tanques foi destruído por um único homem.

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No centro daquele redemoinho sobrenatural, havia um homem taciturno, mais caliginoso que a noite mais tenebrosa.
Por baixo de seu uniforme, um corpo de aço forjado ao ápice do limite.
Uma perfeita fusão entre o caráter artístico encontrado nas antigas esculturas gregas e puro poderio militar.

O homem não empunhava nada, nem sequer uma lâmina curta.
Ele lutava apenas com seus punhos.

Seus punhos eram tudo o que ele precisava para fender a blindagem dos tanques como se estivesse cortando papel.
Não era algo que um homem qualquer poderia fazer.

Soldado: “――Ele é um monstro.”

De fato, ele era um monstro ― ou possivelmente uma arma que assumiu a forma humana, uma fortaleza sobre o campo batalha. Independente do que fosse, os soviéticos estavam lidando com um soldado claramente inumano, uma existência que excedia os limites do corpo humano.

Soldado: “F-Fogo!”

Além disso…
A besta imponente que era ele, ainda assim, buscava desviar do todo o tipo de artilharia disparada contra ele.
Mesmo após ser apedrejado por incontáveis tiros e disparos de canhões, seu corpo permanecia incólume.
Entretanto, isto era algo natural.

Pois todos o conheciam.
Todos sabiam o nome deste herói que havia morrido um ano atrás.

E que ninguém era capaz de matar os mortos.

“――――――”
O homem deixou um profundo suspiro escapar.
Transbordante, ele iria derreter todos os destroços em sua volta em lixo tóxico, explodindo-os à distância com uma rajada de vento abrasador.
Seus músculos contraídos se expandiram ao extremo, como se desejassem pela libertação.

Um martelo de aço.
Não havia nada neste universo que pudesse resistir ao golpe que ele estava preparado para desencadear.
As energias que se aglomeravam em seu punho davam à luz a refração, gerando uma distorção na fisionomia do homem.
Logo o homem já havia finalizado a tumefação com aquela energia e estava prestes a desencadear a destruição…

Soldado: “――Hii”

“…………”

Sua feroz concentração repentinamente foi suspensa quando estava a ponto de alcançar uma massa crítica.
Como se algo tivesse arruinado o clima.
Talvez ele tenha pensado que os soldados em pânico, tendo perdido toda sua moral, não eram mais dignos de serem mortos.

Então escapariam os miseráveis soldados da morte?
――Obviamente não.

“Was gleicht wohl auf Erden dem Jägerver gnügen”O que neste mundo poderia superar o prazer da caça?!

A canção da cruel caçadora ecoou pela noite.
Uma pura e escaldante chama passou pelo homem, devorando os soldados e os incinerando.

Não era um poder de fogo normal.
Sua força destrutiva estava muito além de coquetéis Molotov ou disparos de um tanque de guerra.
Aparentava mais ser um pulso de energia concentrado de uma explosão nuclear ― algo que parecia ser impossível ― do que uma arma ordinária.

Gritos de pura agonia transcendentais reverberavam através do campo de batalha dilacerado pela guerra, agora submergido por um mar de chamas.
Os soldados, atacados por aquela explosão de chamas instantânea, evaporaram sem deixar rastros, mas os gritos repletos de ódio de suas almas podiam ser ouvidos em meio à noite.

Era o mesmo fenômeno que Schreiber havia conjurado momentos antes.

Caçadora: “…Que chato.”

“Frágil. E também fraco. Que valores existem nas almas desses miseráveis vermes inferiores?”

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Era incerto há quanto tempo a mulher estava de costas para as costas do homem enevoado.
Sua tonalidade era de uma alegria sombria e desolada, com uma fisionomia de vermelho carmesim.
Seus cabelos que tremulavam eram de um vermelho sangue, como um fogo infernal.
Ela certamente deteria de uma sagaz beleza, se não fosse pelas pavorosas marcas de queimadura que cobriam metade de seu rosto; ainda sim, sua figura evocava um terrível pavor nascido do casamento do justo e o repugnante.

Caçadora: “Então, você tem algo a tratar comigo, herói? Você não parece muito contente.”
Graciosamente soprando a fumaça do cigarro para fora, pôs para o homem as suas costas uma questão.

Não houve resposta.

“Bem, tanto faz. Ao menos isso resultará em um equilíbrio comparado com aquilo que Schreiber já matou. Eu não me importo com a sua honra, ou como você prefere chamar, mas continue sustentando isso o quanto desejar.”

“É necessário que os soviéticos sejam retirados daqui. Se você compreende que esse excesso de indulgência e inação são pecados de igual valor, então eu não tenho mais nada a dizer. …Ou talvez você esteja se segurando pois está ciente que não irá parar até que tudo em seu caminho seja aniquilado uma vez que libertou-se de suas correntes? Haha, neste caso, eu posso simpatizar com você.”

Era inevitável não confundir as palavras daquela mulher de vermelho coma as de um lunático.
Naquele momento, nenhuma pessoa sã falaria como se fosse capaz de derrotar os 500 mil soldados do Exército Vermelho que cercavam Berlim, apenas como um capricho.

“A Vossa Excelência, o Líder SupremoFührer faleceu há pouco.”

“O resto dos pregadores de mentiras e tolos sonhos se juntarão a ele em breve. E esta cidade deve perecer, levando consigo incontáveis irmãos e cidadãos. Um verdadeiro sacrifício a ser oferecido ao processo de criação da Arca da Aliança. As vidas de dez compatriotas possuem muito mais valor e significado do que a vida de milhões de inimigos. Esta é a natureza humana. Esse tipo de lógica o atormenta? Bem, isso não importa. A agonia é outra forma de oferenda.”

Herói: “…Samiel.”

Então, o homem que até então se mantinha em silêncio, falou.

“Onde está Mercurius?”

Samiel: “…O quê?”

“Você tem algo a tratar com ele?”

“…………”

Novamente, o silêncio. O homem nada respondeu.
A mulher estreitou seus olhos ― seu olhar seguiu com uma pesada suspeita – antes de exalar um exasperado lamento.

Samiel: “Fracamente, se recusando a responder novamente? Homens que se mantêm em silêncio realmente são enigmáticos. Não me diga que você planeja enfrentar aquilo?”

“Se é o caso, esqueça essa tolice por hora. Nada pode matar aquilo. Não, suponho que certa pessoa seria capaz, dependendo de como você encara isso, mas…”

“Em todo caso, aquilo é nosso superior, bem como um jurado amigo de nosso líder. Se você ainda nutre qualquer intenção de se rebelar, eu o recomendo que esqueça agora.”

Herói: “Eu não tenho tais ambições.”

Samiel: “É claro. Você nunca seria capaz de colocar tal coisa em sua cabeça dura. Entretanto, me deixe responder a pergunta anterior.”

Dito isto, ela levantou sua cabeça e olhou para o céu.

Samiel: “Nossos dois líderes da Távola Redonda Obsidiana são inseparáveis como irmãos. Portanto, o paradeiro dele deveria ser de seu conhecimento. Olhe bem para lá.”

Enquanto isso, enquanto o céu de Berlim era tingido por sangue e fogo…
…tomando forma através da carnificina da capital…
…havia uma imensa Swastika――
Um homem estava de pé sobre o pináculo em seu centro.

Samiel: “Atenção, homens e mulheres de Berlim! O nosso Grande Lorde, Monarca da Destruição, os agracia com sua mensagem! Ouçam as exaltadas palavras dele em silêncio!”

Sua voz efervescente ecoou aos ouvidos de todos aqueles ainda vivos que estavam em Berlim como se fosse uma espécie de feitiçaria.
Naquele instante, todos os soldados cessaram fogo, todas as crianças pararam de chorar, e todos os idosos interromperam suas fugas.
Cada uma das almas daquela cidade olharam para o céu como se estivessem em transe.

O céu estava vermelho, tingido pelas chamas e sangue da cidade abaixo dele.
O hino de Berlim――
Naquele dia, o Império de mil anos se desintegrou ao pó, e lá uma besta de uma luz intensa e reluzente descendeu dos céus.

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Com seus cabelos dourados, como uma juba.
Seu suntuoso olhar real era igualmente dourado.
Era o esplendor do ouro, vivido ao ponto de transcender a própria criação; de beleza matizada com forte solenidade, e ao mesmo tempo bestial em tonalidade.
Uma existência que não deveria existir no reino humano, o Precursor de Uma Luz Aliciante.

Ao seu lado, um homem com fisionomia vaga e distorcida assim como a escuridão das sombras.
Ele estava envolto por vestes planas como um eremita, com uma ambígua fisionomia cuja a qual impossibilitava discernir a sua idade.
Um yin e seu yang. Os dois existiam em um nível muito além do olhar daqueles que os testemunhavam. Eles eram monstros aos quais os próprios monstros temiam.

Número I e XIII dos Treze Cavaleiros da Távola Redonda Obsidiana da Lança Sagrada ― Longinus Dreizehn Orden.
Seu líder e seu vice-comandante.

Líder: “――Vós ― irmãos e irmãs!”

Olhando na direção de Berlim, não, na direção do mundo, o homem de ouro deu início ao seu discurso.

“E se eu dissesse a vocês que uma vida inteira é decidida pelo destino? “

“Os vitoriosos nasceram para a glória; aqueles que foram derrotados vivem apenas para servir. A vida de vocês foi decidida já em antecipação, sempre terminando em um mesmo final, incapaz de divergir, não importando o que seja feito. E se eu dissesse a vós que o universo foi entrelaçado por um tecido de tamanha crueldade? Sendo este o caso, então o trabalho árduo é sem significado. Bem como uma mandriice, sonhos e preces igualmente faltam com valor. E se eu dissesse que as graças do divino, bem como a fúria dos céus… já fora estatuídas aeons atrás? Vós que foram rotulados como prole do diabo, nascidos apenas para destruir, para sempre oprimidos, para serem transgredidos, mortos e aniquilados apesar de não terem cometido tal pecado. Nada mais… e nada menos. Esta é a natureza deste detestável ciclo ― desta execrável LeiGettho.”

“A morte não traz a libertação, apenas a o renascimento, outro ciclo, outro começo. O início de vossas derrotas, vossas dores e angústias. Consequentemente, vós nunca saberás de nada além deste eterno sofrimento e derrota pois nascestes apenas pelo propósito de arcar com este destino ― Não há outro resultado para vós além deste. Isto é vexatório, não concorda?”

“Desejas transmudar isto ― ou não?”

As austeras palavras do homem chegaram a cada alma que residia em Berlim.
Tudo o que espera por você é nada além do eterno sofrimento; da eterna derrota.
O povo de Berlim não podia negar suas reivindicações que penetravam em seus peitos. A Besta Dourada proclamara de forma persuasiva tocando o trompete do julgamento final.
Era um homem detentor de um carisma sobrenatural. Utilizando de extremas condições para manipular a vontade dos demais, bem como uma história engana a si mesma, entretanto a absoluta escala da performance conduzida aqui garantia um escrutínio mais profundo.

Sua voz possuía um aspecto mágico, capaz de penetrar o coração de todas que a ouviam; sendo como comparação mais plausível o rugido dos dragões das antigas lendas.
Sua voz era como uma onda de absoluto poder, um juggernaut, que não falhara em iludir qualquer mortal.

O possuidor dela claramente não era humano.

A Besta Dourada.
O Príncipe Negro.
O Precursor de Uma Luz Aliciante.
O Monarca da Destruição.

Cada palavra que saia de seus lábios era impregnada pela magia.
Ele deu a ordem.

“Se estão de acordo, lutem.”

Se desejam transmudar suas vidas miseráveis, ofereçam vossas almas.

“Se desejam se libertarem deste execrável Campo de ConcentraçãoGettho, conhecido como destino…”

Se buscam enxaguar o estigma da derrota…

“Levantem-se e lutem ao meu lado.”

Peguem uma caneta e assinem este pacto de sangue.

Esta é a própria tentação do demônio.
O Monarca Dourado olhou para aqueles inferiores que rastejavam sobre a terra e o questionavam.

“O que vós desejas?”

A resposta era evidente.

Salve a VitóriaSieg Heil.
Salve a VitóriaSieg Heil.

Conceda-nos a vitóriaSieg heil Viktoria.

Líder:Aquiesço-me

Uma profunda fissura no rosto perfeitamente belo do homem.
Para conjurar as palavras de Doutor Fausto, suas feições retrataram o inquietante equilíbrio de um genuíno sorriso e um grotesco escárnio.

――Precursor de Uma Luz Aliciante.Mephistofeles
O nome do perverso demônio que era capaz de garantir todos os desejos de um homem em troca de sua alma.

“Se este é vosso desejo, então aliste-se em meu Corpo de ExércitoLegion.”

No momento em que essas decisivas palavras saíram de seus lábios, o inimaginável ocorreu.
Todos os homens que carregavam armas em suas mãos as levaram até suas bocas.
Todos aqueles que empunhavam lâminas as empurraram profundamente contra seus peitos.
Aqueles que não detinham de nenhuma arma jogara-se em meio ao fogo.
Tiros, perfurações, saltos, suicídio.

Centenas, milhares ― todos apressaram suas mortes com uma anormal celeridade. Suas almas foram absorvidas pelo Monarca Dourado.

Era um insaciável genocídioHolocausto que engolia toda a capital.

Entretanto, esta não teria sido a primeira vez.
Ele até então já havia consumido incontáveis almas no passado.
Seria isto, então, o ritual final para a conclusão de sua tarefa?
Um grande altar sacrificial, manchado pelo sangue de soldados e compatriotas que para ele olharam como sendo um salvador, implorando pela salvação.
Em meio a toda essa crueldade, toda essa tristeza e melancolia, a todo esse terror…

Vice-líder: “……Belo.”

“É verdadeiramente uma tragédia… Cada uma das pessoas que o venera, cada uma das pessoas que você deveria proteger, estão encontrando o fim em suas mãos. E você assiste a tudo com lamentação e jubílio, embebedando-se de suas essências afim de você alcance alturas ainda mais elevadas. Meu amigo, a única besta digna de respeito na qual eu encontrei em meio a comédia de erros que é a minha vida. Permita-me perguntar: Como irá proceder?”

O homem que permaneceu todo esse tempo em silêncio em sua sombra, finalmente falou.

Vice-líder: “O que você deseja?”

Líder: “É uma tola questão.”

“Destruir e transcender as leis que governam este universo… Não fora vós quem me colocaste neste caminho? Se contar o fato de que falta a mim qualquer tipo de interesse pessoal.”

Vice-líder: “E isto seria?”

Líder: “A criação das leis.”

Vice-líder: “Entendo, em outras palavras…”

Deus, ou talvez o demônio…

A sombra riu, seus lábios estendiam-se em um sorriso.

Vice-líder: “Isto me satisfaz com a mais elevada alegria de ter ganho um “pupilo”. Parece que você ainda é o único na qual verdadeiramente compreende a Ewigkeit.”

Líder: “Sim, é maravilhoso. Não importa quantas vezes eu experiencie isto, eu nunca me canso deste momento. Tanto quanto, eu sinceramente não posso evitar de sentir um tom de arrependimento em tê-lo que deixá-lo para trás, entretanto…”

“Está na hora, Carl?”

Vice-líder: “Sim, e deixe este nome para trás. Nós iremos nos encontrar novamente, com certeza.”

Carl: “Meio século deve providenciar um amplo tempo para a finalização de Shamballa no oriente. Meu substituto estará lá. Sinta-se a vontade para utilizar dele como desejar para suprir seus homens com o treinamento que eles buscam. O pacto desta noite fez de sua alma ainda mais poderosa do que nunca. Agora que o processo de criação da Arca da Aliança aparenta ter sido um sucesso, há pouco uso para este plano até o Dia da Ira. Há também os assuntos a se tratar com Christof.”

“A fim de garantir o sucessor, possivelmente seria adequado que alguns de seus vassalos o acompanhasse para o outro lado.”

Líder: “Naturalmente. Eu devo levar comigo Samiel, Schreiber e Berlichingen.”

Carl: “Excelente, embora não a melhor seleção pessoal a se fazer. … Apesar de eu ter minhas dúvidas se qualquer outro além daqueles três seria capaz de se juntar a você, como está agora.”

Os dois homens trocaram palavras em um tom casual, quiçá como dois reminiscentes jogadores de xadrez contemplando seus movimentos, mesmo um cenário infernal se espalhando abaixo deles.
Era aparente o motivo pelo qual os dois eram vistos como irmãos. Eles compartilhavam um certo ar de iluminação resignada, como se presidissem de alturas elevadas que seres inferiores jamais sonhariam alcançar.

Nenhuma tragédia, nenhuma comédia, nenhuma criação sob o sol iria movê-los.
Suas risadas eram meros escárnios. Suas ações não eram meramente resultados de um coração congelado; ele estavam desgastados pelo próprio Tempo, imbuídos com uma inquietante aura de uma antigo sábio. Matusalém.

Abaixo deles, os observando, haviam cerca de dez outros em uniformes militares.
Todos completamente ilesos em meio à decadente capital de agonia que era Berlim.
Eles eram as Garras e Presas da Besta Dourada, agindo sobre seu comando. Entre eles, os três mencionados ultrapassavam o resto.

A mulher de vermelho carmesim deixava escorrer lágrimas de alegria em seu rosto; em resposta à honra de ter sido escolhida pelo seu comandante dourado. Sua lealdade aumentara vigorosamente mais do que nunca.

O garoto de cabelos brancos respondeu mal-humorado, lamentando o temporário fim de sua carnificina. Naquele momento, entretanto, ele jurara aquiescer.

O homem sombrio permaneceu em silêncio, aparentando óbvio para todos a sombra na qual seus olhos estavam fixados.

Líder: “Não se preocupe: seus desejos serão garantidos em breve. Eu apreciaria se você não direcionasse esse olhar furioso para mim.”

O espectro do homem sorriu, entretido pelo olhar eletrificante, antes de retornar sua atenção novamente ao seu dourado irmão.

Carl: “E mais uma vez devemos nos separar, Kemono-dono. Vamos orar pelo nosso sucessor mútuo em nossa reunião.”

Líder: “Não, eu juro obter sucesso a qualquer custo. Permanecer como um mero observador não produz resultados. Este é um péssimo hábito, seu Carl.”

Carl: “…De fato. Então façamos disso nosso juramento.”

O Império Totenkopf que havia promovido sua guerra contra o mundo finalmente encontrou seu fim.
Verdade ou não, há uma anedota muitas vezes repetida de que os Nazistas alemães, de posse das mais avançadas tecnologias durante aquele período, foram envolvidos em obscenos rituais por baixo dos panos em uma busca pelos poderes da magia negra.

O que aconteceu com os demônios produzidos por esses “experimentos” e todas as suas diabólicas relíquias?
Seus paradeiros permanecem desconhecidos, assumindo que eles verdadeiramente existiram desde o princípio.
――E no presente, com o passar de seis longas décadas.

hjxqyqw

29 de novembro de 2006, Monte Fuji. Aokigahara – Mar de Árvores.
3:27 AM…

Toda a área estava engolfada em chamas escarlates.
Uma súbita torrente de energia pura emergiu de uma caverna próxima, incendiando diversas árvores nas proximidades.

Este lugar era uma fenda no tecido do espaço: como malhas de uma rede, existindo como um ponto de encontro das linhas de Ley da Terra.
Um homem solitário emergiu da caverna.

Vestindo um rosário e uma batina, indicando seus status como membro sagrado do clérigo. De fato, se ele verdadeiramente era um servo de Deus, o brando sorriso que percorria seus lábios não era algo a se surpreender.
E ainda sim, poderia um homem como ele aparecer em um local com este, em uma hora como essa, emergindo de um impetuoso inferno, ser chamado de homem santo?

E――

Ajoelhada perante ele em servidão, estava uma jovem mulher de cabelos completamente negros.
A cor de sua pele e suas feições claramente identificavam ela como sendo nativa daquela terra.
Sem a menor alteração em sua compleição, ela proferiu palavras de respeito ao homem.

Mulher: “Perdoe-me minha indelicadeza, Valeria Trifa, Vossa Eminência Seisanhai Receptáculo Divino, representante do próprio Lorde Comandante. Eu agi sobre minha própria volição ao convocá-lo aqui. Devo-me apresentar aqui, por suposto?”

Trifa: “Isto não será necessário――”

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“Lembro-me muito bem de você, Leonhard. Você era nada mais que uma criança quando foi acolhida pela Kircheisen-kyou, mas vejo que você foi criada para ser bela… e poderosa.”

Leonhard: “Eu não sou digna de tamanho elogio.”

Próximo dali, podiam ser ouvidos desagradáveis gemidos ou, porventura, berros, que ecoavam.
Eram certamente as almas de todos os homens e mulheres que tiveram suas vidas tomadas junto aquela floresta. A jovem mulher não deu atenção a eles, mesmo com elas fazendo de sua presença conhecida, já o sacerdote, em contraste, inalou a todas com afeição, fazendo delas, suas.
Uma cena blasfêmica, uma afronta a tudo o que era justo.
Idêntico aos eventos ocorridos 61 anos antes, em Berlim. Seria isto uma continuação do que havia tido início naquela noite?

Um sacerdote com uma voz que trovava cada uma de suas palavras; a sua frente, uma mulher oferecendo nada mais além de suas humildes frases.
Eles trocaram algumas palavras abordando assuntos sem muita importância.

Sobre a jornada do sacerdote à outra face da Terra através das linhas de Ley, e que havia sido a mulher que distorceu a rota inicial o levando até aqui.
Um pedido de desculpas por tamanha vulgaridade. As ações que seriam tomadas. Certas necessidades.
Uma explicação para a qual o sacerdote não poderia viajar para “lá” naquele momento. Nenhum delas importante. Nenhuma delas precisavam ser discutidas aqui.

Havia apenas uma coisa que era crucial.

Trifa: “Muito bem. Devemos continuar com nossa cruzada sagrada?”

Esta era a questão crucial.
Eles haviam por muito tempo esperado e conduzido suas preparações ao longos de anos, e agora era chegada a hora de anunciar sua indômita e suprema performance que eles agora se dirigiam para encenar no palco deste mundo.

Vamos subir as cortinas do nosso Teatro dos HorroresGrand Guignol.
Carnificina, derramamento de sangue, massacrar até que não reste um.
Violar, conquistar e consagrar.
Vamos ser vitoriosos.
Vamos conquistar.
Porque――

Leonhard: “――Esta é a vontade de Deus. Minha Honra chama-se LealdadeMeine Ehre heißt Treue.”

Eles devem repetir isso quantas vezes mais forem necessárias.
Sejam elas milhões ou bilhões, até nayuta… eles devem continuar a lutar até os limites do tempo.
Eles juraram que fariam isto, e iram prosseguir isso que fora acordado.

A jovem mulher proferiu o slogan de sua cruzada sagrada; suas palavras foram ao encontro das bênçãos do próprio sacerdote.

――Então, nesta noite, neste lugar…
…o Corpo de ExércitoLegion que jurou a destruição de todo o mundo começou a se mover.
Sem que ninguém tivesse conhecimento de sua existência.

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